Resenha: A Vida de Philip K. Dick - O Homem Que Lembrava o Futuro


Título: A Vida de Philip K. Dick - O Homem que Lembravao Futuro

Autor: Anthony Peake

Páginas: 311

Editora: Seoman  





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     Resenhar biografias já é uma tarefa bem difícil. Agora, resenhar uma biografia do iluminado e maluco PKD escrita pelo louco e desvairado Anthony Peake, é algo quase impossível.


"... É por isso que eu amo a ficção científica. O escritor de FC não vê apenas possibilidades, mas possibilidades desvairadas. Não é apenas "E se...", é "Meu Deus, e se..." com frenesi e histeria. Os marcianos estão sempre chegando."
Pag. 32


     Anthony Peake trouxe neste livro muito mais do que uma história de uma personalidade. Ele juntou cartas escritas por PKD, entrevistas, fotos, fatos, livros, contos e montou um imenso quebra-cabeça cheio de detalhes e com uma pitada de ideias.

     E como PKD já era conhecido por sua 'loucura',  narrado por outro louco, o que acontece é que não dá pra ter certeza no que é verdadeiro ou no que é exagero.

     O que importa é que é apaixonante.

  
"PKD era desses que acende o fogo da próxima namorada nas brasas da namorada anterior, mas mantém  sempre um isqueiro reserva."
Pag. 18


     Bem, vamos por partes.

     O livro foi traduzido por Ludmila Hashimoto, que traduziu a maioria dos livros de PKD.

     Quem fez a apresentação desta obra foi Lúcio Manfredi, que é escritor e roteirista com vários contos publicados.

     O prefácio foi escrito por Ronaldo Bressane, que traduziu uma das obras de PKD, é fã do autor e também escreveu alguns livros; um deles foi lido e resenhado aqui no blog (Sandiliche).


"Porém, como rebateria PKD em sua blague paradoxal, "realidade é aquela coisa que, quando você para de acreditar nela, não desaparece."
Pag. 20


     Anthony Peake também fez um prefácio maravilhoso. Enfim, o autor dividiu o livro em três partes e um epílogo.

     Na primeira parte, que é bem longa, ele nos conta a vida do autor desde seu nascimento conturbado, a perda da sua irmã gêmea e a situação dos seus pais em meio a Grande Depressão.


"Ao lado do nome da filha entalhado na lápide, Dorothy e Ted acrescentaram, de prontidão "Philip Kindread Dick". Talvez temessem que, assim como Jane, o pequenino bebê não sobrevivesse ao inverno. Qualquer que tenha sido a razão, PKD sempre soube para onde iriam seus restos mortais um dia."
Pag. 45


     São muitas curiosidades. Toda a infância, a adolescência, a fase adulta, seus cinco casamentos, os filhos, outros relacionamentos. Enfim, é muita história...


"Em uma das alucinações, PKD haveria previsto que o filho teria um problema congênito que o mataria; alarmado, ao levar o filho ao hospital, descobriu que o problema era verdadeiro: se o pai não tivesse interferido, o filho estaria morto."
Pag. 21


     A parte Dois  traz uma Explicação Esotérica com teorias de Tessa, esposa de Dick, e mais algumas histórias.

     A relação entre essas revelações que PKD garantia receber e os seus livros. A relação entre os acontecimentos da sua vida e o quanto disso ele colocava em seus personagens. Muitos deles são extremamente autobiográficos.


"Tagomi é tragado por essa poderosa "luz branca, clara e ofuscante", evocando nele imagens do Livro Tibetano dos Mortos, do ciclo de morte e renascimento e da natureza ilusória da realidade."
Pag. 203


     E a Parte Três: Uma Explicação Neurológica tenta desmistificar os fatos ditos sobrenaturais, atribuindo muitos momentos de PKD às drogas. Mais ou menos ele tenta nos convencer de que algumas das revelações não passavam de alucinações causadas pelo excesso de drogas.


"A descrição da carta e a de Tim Powers são idênticas... "entre a mesa de centro e o sofá". Toda vez que eu leio isso, sinto um arrepio na espinha."
Pag. 196


     E ainda tem um epílogo que traz mais algumas curiosidades.

     Gente, vocês acreditam que mesmo sabendo muitas coisas sobre o autor, e claro, sobre sua morte (isso não é spoiler, ele morreu há anos), eu me emocionei muito com a narração deste momento extremamente triste e muito antes do tempo.

     Philip K. Dick ainda tinha tanto para escrever, tanto para deixar para nós, simples mortais que temos tanto para aprender.

     Mesmo ele tendo deixado 44 romances e mais de 120 contos, ainda assim acho que tinha muito mais para nos deixar.


"A ansiedade em relação a Blade Runner começou a cobrar o seu preço. PKD começou a beber muito e a tomar aspirinas até que, em maio de 1981, teve uma hemorragia gastrointestinal. Ele disse: "Hollywood vai me matar por controle remoto!"
Pag. 183

   
     Adorei!! Estou realmente feliz em ter lido esta obra. Me fez muito bem. De verdade!

     Tem coisa melhor que isso?

     Ler e se sentir melhor, mais completa, mais feliz, mais apaixonada e querendo ler mais e mais livros do autor.

     Recomendadíssimo!!








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7 comentários:

  1. Eu tenho uma relação de amor e ódio com biografias. Amo demais as que retratam a vida de músicos, cantores, como A Ira de Nasi que amei de paixão.
    Mas com personalidades que não conheço ao menos um pouquinho, sou meio avessa ainda.
    E claro, ficção científica nunca foi meu ponto forte. Então, mal sei da vida desse grande mestre.
    Gostei das conturbações que li acima e se puder, vou procurar o livro para conferir sim!!
    Beijo

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  2. Lelê, adoro biografias mas fiquei com certo receio e estragar alguma coisa lendo esta sem nunca ter lido nada do autor - e olha que dívida que eu, que gosto tanto de TC, tenho com ele! Mas é claro que entra pra lista ;)

    Dois abraços!

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  3. Olá, Lelê.
    Quero muito ler o livro, principalmente porque eu adoro o Dick. Os livros loucos dele estão entre os melhores que eu já li. Essa mistura de genialidade, loucura e drogas deu certo com ele.
    Vou ler essa obra, com certeza.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de setembro. Serão dois vencedores.

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  4. Le!
    Nada melhor do que lermos mais sobre a vida de quem admiramos, mesmo que seja 'questionável' devido as 'loucuras' do biografado e de quem o está biografando.
    Bom é saber mais sobre a vida dele e pelo visto, o intento foi alcançado.
    “Torna-te aquilo que és.”(Friedrich Nietzsche)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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  5. o gênero não me atrai tanto, mas estou expandindo meus padrões e minhas opções e a dica se encaixa
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  6. Olá Alessandra,

    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui, não conhecia PKD mas pela sua resenha sua história parece bem interessante, dica anotada...bjs.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  7. Amei o blog! Adorei como você falou do livro, fez eu me interessar muito por ele. Gostei muito da capa também, sempre é a primeira parte a me atrair. Vou colocá-lo em minha lista de leitura.
    Meu blog é novo, se seguir eu retribuo
    http://meninadalivraria.blogspot.com.br

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