Resenha: Juventude Brutal


Título: Juventude Brutal

Autor: Anthony Breznican

Páginas: 495

Editora: Pavana 


















     Um dos livros mais angustiantes e geniais que já li. É selvagem, verdadeiro e visceral. Agora eu entendo porque Stephen King, Stephen Chosky, James Dashner, Gillian Flynn e Jason Reitman recomendaram tão fortemente esta obra.


"Talvez ninguém possa culpar uma pessoa pela dor que faz com que ela seja quem é."
Pag. 491



     "Juventude Brutal" é narrado em terceira pessoa pelo pondo de vista de vários personagens. O livro é dividido em partes, cada parte irá focar em um personagem, mas todos aparecem de váraias maneiras e ângulos diferentes, e todos estão ligados.

     Tudo começa quando um garoto chamado Vickler está num momento complicado. Ele é um tanto estranho e depois de ter sido maltratado por muito tempo, muitos anos sofrendo bullying; uma hora ele estourou.

     Vickler está em cima do telhado da escola jogando objetos para baixo, acertando alunos e professores, e o que ele mais quer é acabar com a vida de todos e a dele mesmo.


"O menino havia sofrido uma porção de maus-tratos ao longo dos anos, por isso tinha muitos motivos para dar o troco."
Pag. 9


"Ele subiu no estreito parapeito, primeiro escorando-se na asa de São Miguel e depois abraçando o torso da estátua enquanto tentava não olhar para baixo, não encarar a queda que lhe estilhaçaria os ossos."
Pag. 10


     E é neste ambiente que Peter Davideck, Noah Stein e Lorelei vão se meter, ou melhor, estudar.

     A Escola de Ensino Médio St. Michael é o tipo de colégio que eu não passaria nem na mesma calçada, mas tem alunos lá.

     Estamos nos anos 90, e nesta época o assuto bullying não era falado, e prática-lo era um tanto aceitável, inclusive por professores.


"1 - Seja bonita, mas não linda de cair o queixo (as outras meninas não gostam de sentir inveja).
2 - Tire boas notas, mas não dê uma de gênio (as outras pessoas não gostam de se sentir burras).
3 - Não seja o palhaço da turma (se tiver de fazer piadas, tente ridicularizar outras pessoas).
4 - Sente-se nas primeiras filas da classe (os encrenqueiros é que ficam no fundão).
5 - Seja generosa, mas não uma galinha-morta (mostre que boa pessoa você é fazendo amizade com um deficiente físico)."
Pag. 49

     Mas não é só na escola que eles sofrerão, cada um deles tem problemas em casa também, cada um a sua maneira irá sofrer e se curar sozinhos e também com a ajuda um do outro.

     É de deixar o estômago embrulhado.

     Quando você acha que já viu de tudo, o aluno vai pra casa, e muitas vezes é até pior.

     Não vou ficar citando o que cada um deles passa porque eu ficaria horas aqui e iria tirar a surpresa de quem vai ler o livro. Prefiro falar do que vi e do que senti.

     Ah! Fora isso ainda vamos conhecer a demônia Sra. Bromine, que é uma coordenadora; gente!! Que vontade de prender os dedos dessa mulher na porta!!

     Sei que o livro trata de violência, mas é impossível não ter vontade de ser violento quando Bromine entra na história.


"Todo mundo quer espancar um calouro, mas ninguém quer ser um racista escroto."
Pag. 120


     Outro aluno que me conquistou foi Green, o único negro da St. Michael. Ele me passou ser tão bem resolvido, tão acima dos outros, quase inatingível. Claro que ninguém é assim, mas Green me ganhou.

     Muitas outras coisas também são trazidas à tona durante a leitura, como a religião, a honestidade e principalmente a amizade. O quanto os amigos são importantes nessa fase da vida de todos.


"Sua mãe agia como se a filha e o marido, eternamente desempregado, fossem dois animais de estimação que ela tinha comprado antes de se dar conta de que era alérgica."
Pag. 445


     A história começa basicamente quando Davideck ingressa na St. Michael e termina quando ele se forma. Então tudo que é contado é durante o tempo que ele está estudando lá.

     Algumas vezes eu achava um pouco absurdo o que acontecia, mas depois eu chegava a conclusão de que sim, é tudo possível. O que não deixa de ser chocante.


"Não que ela ainda tivesse algum amigo em quem confiar, e os adultos nunca estavam dispostos a ouvir as angústias dos jovens. Eles tendem a duvidar que este tipo de coisa exista."
Pag. 44


     A edição é incrível, um trabalho impecável da Pavana. A capa a primeira vista não é bonita, mas faz todo sentido logo quando se começa a ler o livro.

     "Juventude Brutal" já é o melhor livro do ano pra mim.

     É inteligente, tem seus altos e baixos, mas quando está no alto o leitor dá até piruetas. E por isso o baixo se faz necessário, assim dá pra respirar.

     Amei profundamente!

     É um livro que fala de adolescentes no ensino médio, mas eu garanto que você nunca leu nada que se compare com este livro.

     Recomendadíssimo!!!
























5 comentários:

  1. Eu sabia que não poderia ser diferente!!!
    Já havia lido uma coisa ou outra sobre a questão abordada nesse livro e lendo sua resenha, hoje posso entender que se trata bem mais do que alunos problemáticos.
    São questão familiares, revolta, questionamentos. Tudo isso acaba sendo colocado pra fora na escola, claro, mas vai bem além disso.
    Com certeza, lerei!!!!
    Beijo e parabéns pela resenha impecável!!!

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  2. Uau estou com uma vontade enorme de ler esse livro agora mesmo! Adoro histórias colegiais que retratam os adolescentes como eles são mesmo, e sem toda aquela baboseira de amor perfeito e draminhas bobos. Gosto assim, brutal e real. Amei a resenha, vou atrás desse livro agora mesmo!

    ♥ Rendas e Doces

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  3. Olá, Lelê.
    O livro realmente parece ter um enredo mais denso, duro e até mesmo visceral, como você disse. Além disso, toca em assuntos complexos, o que me chama muito a atenção. Além disso, se o King recomendou, eu preciso ler.
    Maravilhosa dica.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de setembro. Serão dois vencedores.

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  4. oi Lele, meu Deus que livro é este? super intenso hein? não sei se encaro, mas fica a dica!
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br

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  5. Le!
    É verdade, naquela época não existia o termo bullying e por respeitarmos os professores como próprios pais, não se pensava nem em reclamar dos professores.
    Pelo visto é uma história comovente e brutalizada.
    “O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.”(Mario Quintana)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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