#Resenha: O Pomar das Almas Perdidas

   

Título: O Pomar das Almas Perdidas 

Autora: Nadifa Mohamed

Páginas: 296

Editora: Tordesilhas




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     Forte, duro, pesado, poético. Um romance necessário. Destruidor de coração. Maravilhoso! Estou tentando começar esta resenha descrevendo meus sentimentos em relação ao livro, mas tudo está misturado, tá um misto de sofrimento e satisfação que eu nunca havia sentido antes.


"Parecem ilustrações de um livro didático, todas iguais nas mesmas roupas, com apenas algumas rugas no tosto ou nas costas curvadas para marcar a idade. É desse jeito que o governo parece querê-las."
Pag. 12


     Impossível tentar falar deste livro e respirar normalmente, porque cada vez que me lembro destas três protagonistas, um nó se fecha na minha garganta e o ar insiste em não entrar como deveria.

     "Nadifa Mohamed" leva o leitor para o ano de 1987, quando a Somália estava vivendo a desgraça da Ditadura Militar, além disso está prestes a mergulhar numa maldita Guerra Civil onde não existe vendedores nem mocinhos. Todos sã terríveis e o povo sofre, mas as mulheres são as que vivem numa total miséria.


"É aqui que sua jornada termina, no "mercado de pessoas". Daqui, os afortunados são resgatados enquanto outras terminam no necrotério do hospital ou desaparecem em prisões por todo país. Este foi o lugar que despedaçou sua filha."
Pag. 29


     Em "O Pomar das Almas Perdidas" vamos conhecer três personagens que me fizeram esquecer que são fictícias, pois a autora as tornou reais com sua linguagem visual. Nadifa narra de uma maneira tão incrível que o leitor realmente enxerga sua história.

     Logo no início vamos conhecer três mulheres somalis, Deqo, uma menina de nove anos, órfã que está prestes a dançar na festa destes militares.

     Kawsar, uma senhora de uns sessenta anos que viu a ditadura ser instalada e teve o desprazer de passar por muitas coisas. Perdeu uma filha e seu marido, e hoje vive com sua tristeza e revolta.

     Filsan, uma soldado que a princípio me deixou com muito nojo, mas que ganhou minha simpatia. Mas confesso que não foi fácil. Como pode uma mulher ficar do lado desse exército machista e assassino? Ela teve que suar a camisa para ganhar meu coração. Não foi fácil. Mas ganhou no final.


" - Pensem nos sapatos. Vocês não querem os sapatos? Querem ficar descalços pra sempre? Então concentrem-se" - Um golpe brusco nos pés deles com  um galho de acácia."
Pág. 16


     Essas três mulheres se encontram no início do livro.

     Deqo precisa dançar nessa apresentação para ganhar um par de sapatos, mas ela erra a coreografia e seu castigo é uma surra e a expulsão; ou seja, agora além de órfã, ela não tem nem onde ficar, passa a ser uma moradora de rua, uma mendiga.

     Kawsar que vê Deqo em apuros depois do desastre da apresentação, tenta defender a menininha, pois ela se lembra da sua filha, mas isso só a levou à desgraça, pois cai nas garras de Filsan, que sem dó espanca a senhora Kawsar.

"Os golpes vêm assim que ela fica fora de vista da multidão, mãos e pés atacam de todos os lados e palavras ferroam seus ouvidos."
Pag. 25


     Depois disso acompanhamos a vida das três separadamente.

     Cada uma delas me apresentou sua história, mas todas na mesma terra, com os mesmos homens sujos, com o mesmo governo opressor, com a mesma maldita guerra civil, com a mesma terra devastada, com tudo de ruim e desgraçado que esse lugar pode oferecer.

     Em contrapartida, Deqo leva esperança e beleza ao leitor o tempo todo e deixa um apelo para que não desista da leitura, mesmo quando a dor for muito forte, mesmo quando eu pensei em abandonar o livro pois não aguentava tanta tortura, Deqo trouxe sorrisos pra mim. Uma pessoinha iluminada! Jamais me esquecerei dela.

     Quando Filsan, que queria ser reconhecida como uma soldado do exército, percebe que ela não era vista assim, que seus superiores a viam como qualquer outra mulher, ou seja, "peitos e um buraco" como ela mesma descreveu, senti uma certa realização. Juro que disse: "Bem feito!" 

     Mas logo depois me dei conta do absurdo. Eu estava também apoiando a violência de certa forma. Mesmo que ela fosse violenta com outras mulheres, ainda assim, ela também era uma, e não conhecia outra forma de viver.

     É nesta mistura boa de sentimentos que vamos sendo levados.

     E no final somos brindados com as mais belas palavras que há para serem colocadas em um livro.

     Com certeza irei reler este livro. Quero aproveitar melhor estas palavras agora que já sei para qual caminho elas levam. Quero aprender mais sobre esse povo tão sofrido e com essa cultura tão diferente.

     Se eu recomendo?

     Nossa! Eu imploro para que leiam. Mas aviso: Aprecie com moderação e uma caixa de lenço por perto.


































7 comentários:

  1. Antes mesmo de terminar a resenha, já tinha acrescentado o livro à lista de desejados.
    Não dá para começar uma resenha sem uma pontinha já de curiosidade e ao ir lendo, o coração vai apertando junto.
    Criança e idosa na mesma história..e ainda a soldado, nessa mescla de amor e ódio.
    Preciso muito conhecer a história e com isso entender porque você fez uma resenha com tanto sentimento assim!!!
    Beijo

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  2. Uoool Lelê!
    Só conhecia de nome....arrasou!
    Já qro!
    Bjs

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  3. É tão bom quando temos personagens tão críveis em livros que não da nem pra diferenciar o fictício do real, não é? O livro em si parece ser muito duro mesmo, principalmente pelo cenário que está inserido. Gostaria muito de conhecer a história.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  4. a trama já é forte desde o título! não sei se leria por agora, não estou muito nessa vibe, mas a dica esta anotadinha
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  5. Lê!
    O difícil é entendermos outras culturas de tortura e abandono da mulher... talvez por isso, o sofrimento seja grande ao ler o livro.
    Quero sofrer com essa leitura.
    “Para saber uma verdade qualquer a meu respeito, é preciso que eu passe pelo outro.” (Jean-Paul Sartre)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  6. Oi Lele! Que resenha linda, dá para perceber que foi uma leitura marcante. Adorei a dica. Bjos!!!

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  7. Oi, Lelê!!
    Que resenha maravilhosa!! Sem dúvida é um livro muito interessante!! Amei a indicação!!
    Beijoss

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