Divulgação: Tordesilhas

Hoje tem "Lacração" da Editora Tordesilhas!!!



Em março o selo Tordesilhas vai lançar o livro O arco de virar réu de Antonio Cestaro










SINOPSE

Narrativa labiríntica escrita em primeira pessoa, Arco de virar réu descreve os eventos que marcam a deterioração física e mental do narrador-protagonista. Historiador social com forte inclinação para o estudo antropológico, ele é obcecado pelos rituais e pelos costumes dos índios tupinambás. A história começa com o surgimento dos primeiros sintomas de esquizofrenia em seu irmão, nos anos 1970, segue pela adolescência, quando, inspirado em rituais indígenas, o narrador passa a se dedicar à ocultação de cadáveres, e termina com a dolorosa percepção da própria loucura. Digressões delirantes misturam-se a fragmentos de memória e a pesadelos que, aos poucos, colocam em dúvida a própria existência.




SOBRE A OBRA

Arco de virar réu é o primeiro romance de Antonio Cestaro, que já tem publicados dois livros de crônicas: Uma porta para um quarto escuro e As artimanhas de Napoleão e outras batalhas cotidianas. O narrador-protagonista é um homem de meia-idade, primogênito de pais separados. Historiador social com forte inclinação para o estudo antropológico, é apaixonado pelas sociedades indígenas, em especial pelos costumes e pelos rituais dos tupinambás.

Ele inicia seu relato dissertando sobre a natureza física e psicológica do tempo. Fragmentos de memória surgem e começam a se reunir, de início caoticamente. Sua família vai se delineando: o pai ausente, a mãe fragilizada, a irmã mais nova e o irmão esquizofrênico, cujo nome é Pedro. Juntam-se a esse grupo o primo Juca Bala e a tia Rosana. No verão de 1973, durante as férias na praia, Pedro ganha da tia um “jogo de estratégias bélicas” que passa a desempenhar um papel importante na trama.

 A partir desse momento, digressões delirantes, surrealistas, pontuam a narrativa. São as “falas desordenadas” de Pedro, agora internado num hospital psiquiátrico. Para o narrador, acostumado ao reconhecimento de padrões típico da antropologia, a verborragia sem sentido do irmão parece “ordenar ideias aleatórias numa sequência lógica dentro da realidade comum do homem normal”.

Neste ponto ainda existe uma divisão clara entre o narrador e seu irmão. Ambos ainda vivem em mundos opostos: sanidade−loucura. Uma mudança na política de saúde mental do Ministério da Saúde obriga a família a tirar Pedro do sanatório. Ele é levado para morar com a mãe no sítio da tia Rosana. O narrador tem pesadelos. São viagens oníricas que o levam à floresta e aos rituais dos canibais tupinambás, às vezes à Índia. Também continuam as falas bélicas do irmão. Os conflitos armados de Pedro começam a se misturar com os maus espíritos da mitologia indígena.

Pedro morre, mas sua tragédia mental não. O mundo avança para o caos sensorial. Tudo em que o narrador acredita, incluindo sua própria existência, começa a se desmanchar no ar. A veracidade de fatos e pessoas é posta em xeque.

Juca Bala e o narrador passam a conversar longamente sobre a consistência maleável do universo e da realidade. São interlocuções mais subjetivas que objetivas, cheias de reflexões filosóficas e metafísicas. Parágrafo após parágrafo, cada detalhe da história do protagonista é colocado em dúvida.

Em certo momento de lucidez ele conclui: “Parte daquilo que considero fatos, que ficaram registrados com a bandeira da verossimilhança na minha mente, acham-se agora submetidos a vozes que dizem e garantem, apoiadas pelos diplomas que exibem nas paredes, que eram realidades paralelas, criadas como subterfúgios ou caminhos de fuga do factual, ou ainda, na interpretação do Juca Bala, os caminhos que percorri quando decidi viver dentro da minha cabeça”. Mas páginas depois o narrador não tem certeza da existência real sequer do primo.

O narrador vai morar no sítio da tia Rosana, com a mãe, exatamente como fizera Pedro tempos antes. Isolado da civilização, ele pressente a aproximação da morte. Então, escreve seus segredos numa carta e pede que a entreguem ao primo. Na carta, o narrador se lembra do “arco de virar réu”, que dividiu sua vida em duas partes: sanidade e loucura. Nela fica claro, para o narrador e para o leitor, que “numa trama de insanos o mundo inteiro é só insanidades”.




A CRÍTICA


A infelicidade dói, mas é produtiva. Só a infelicidade e o erro produzem diferenças. Criar é revirar uma cicatriz. A ideia move este romance de Antonio Cestaro. A existência singular surge de uma fronteira tênue entre doença e normalidade. Surge do medo de perder a razão. Surge de um salto para além das banalidades do Eu.


Em sua primeira internação, o personagem se sente em estado de guerra. “Mordi a mão do anjo pela segunda vez, preciso da minha voz.” A voz interior só surge de uma fissura. Só advém de uma dor – no caso, de um pai que abandona o lar. A pasmaceira da normalidade se rompe. É desse rasgão, ainda, que vem a possibilidade da literatura. Clarice Lispector dizia que precisava não querer escrever para, enfim, precisar escrever. A escrita é o nome de um vazio.


O diagnóstico de Pedro é aparentemente simples: “desorientação”. Mas o que isso realmente significa? Logo vem a fala desordenada – é a língua, agora, que sangra. A desordem na linguagem dói, mas também obriga a criar. Toda invenção surge de um rasgão. Pedro está partido ao meio. Tornou-se, no jargão médico, um esquizofrênico. De novo: o que isso quer realmente dizer?


Pois é sempre dessas fissuras, dessa devastação interior, que a literatura irrompe, e o romance de Cestaro comprova isso mais uma vez. Se a demência é a perda de sentido, ela é também a necessidade feroz da busca de um sentido. Outra vez Clarice me socorre: é preciso não ter para querer ter.






Já li dois livros do autor e amei muito, não vejo a hora de ler mais este!!






















Comente e concorra

5 comentários:

  1. Olá, Lelê.
    Esse livro tem uma pegada bem diferente, mas, ao mesmo tempo, parece ser ótimos. Quero entender como o autor vai trabalhar esse contato com os povos indígenas e o problema mental do narrador.
    Ótima dica.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de reinauguração. Serão quatro vencedores!

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  2. Lelê,a sinopse dessa obra apresenta,dentre seus personagens um narrador atormentado pela loucura.Achei interessante que a narrativa seja pontuada por digressões delirantes e surrealistas.Gostei da divisão entre o narrador e seu irmão,loucura e sanidade.São personagens que parecem ser bem construídos e complexos,como Pedro que é esquizofrênico.Ansiosa para conferir.Beijos!!!

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  3. parece bem interessante, livro em 1ª pessoa me transportam instantaneamente para a história!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  4. Lê!
    Livros que falam sobre doenças mentais, sempre me interessam.
    “Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.” (Oscar Wilde)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Top Comentarista fevereiro, 4 livros e 3 ganhadores, participe!

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  5. Já simpatizo com esse livro porque é em 1ª pessoa, mas fiquei curiosa em ler, parece ser muito bom!

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