26 de fevereiro de 2015

Resenha: O Menino Que Colecionava Sonhos


Título: O Menino Que Colecionava Sonhos

Autor: Darlan Soares

Páginas: 198

Editora: Novo Século




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     Se você gostou do filme "A Corrente do Bem", se ficou emocionado com o Passe Adiante, com certeza você irá gostar e se emocionar com o livro "O Menino Que Colecionava Sonhos".


"Não existe nada igual a se deitar em um lugar
calmo e ler um bom livro. Existem livros capazes
de nos tirar do mais profundo abismo e nos elevar
a lugares nos quais nunca pensaríamos alcançar.
Ler é regar o coração."
Pag. 112



     Antony é um menino de só oito anos, mas que tem a aparência de seis. Ele mora com sua mãe, mas passa tempo demais sozinho.

     Os dois vivem em um bairro simples, periferia mesmo. Sophia, a mãe de Antony trabalha a noite em um bar para sustentar a casa e o filho sozinha. Pensando em dar uma boa educação ao filho, ela o coloca para estudar em uma escola particular. Porém, com seu salário ela mal consegue cumprir com os outros compromissos que o sustento de um filho exige. Eles são pobres, Antony não tem roupas boas, nem sapatos bonitos. Seu material escolar é simples e reaproveitado ano após ano. O uniforme é um só, e ele tem que ser cuidadoso para não sujá-lo ou estragá-lo.

     Durante o dia ele ainda precisa cuidar da casa, lavar suas roupas, fazer sua comida... Tudo que a mãe deveria fazer é o próprio garoto que faz.

     
"Então, deixando tudo de lado, Antony pegou
todas as ferramentas necessárias para fazer
uma faxina digna de um garoto de oito
anos com corpo de seis."
Pag. 89


     Sua vida parece mesmo muito infeliz, sem perspectiva nenhuma. Até que sua mãe o leva para um passeio igual ao que eles fazem todos os sábados. Vão ao shopping e ficam andando e aproveitando os momentos entre os dois, mas desta vez ela o leva para uma livraria, e um mundo inteiro se abre.

     Tudo o que Antony mais deseja na sua vida tão pequena é ter um montão de livros, uma estante cheia de livros. Sophia aproveita esse momento para lhe dar uma lição. Ela diz para o filho que quando uma pessoa realiza o sonho de outras pessoas, seus próprios sonhos são realizados. 

     E é aí que começa essa corrente. 

     
"Depois de irem ao mercado, Sophia o levou
a um lugar "incrível", como ele mesmo disse:
à livraria do shopping! Foi amor à primeira
vista. Pilhas e mais pilhas de livros, ali,
à sua espera, um mais lindo que o outro, com
um cheiro inigualável de papel novo."
Pag. 14


      A tristeza de Antony começou a ter fim quando um garoto gordinho e muito feliz da vida se muda pra mesma rua, Tommy é a felicidade em pessoa. Com os mesmos oito anos e trazendo consigo uma bagagem ruim, ele não se deixa abater por nada. A única coisa que interessa para Tommy é brincar.

     
"Talvez a mãe houvesse dito aquilo a ele
como forma de afastá-lo das decepções de
seus próprios sonhos. Talvez fosse mais
fácil para ele aceitar as decepções dos 
outros que as suas próprias. De uma forma
ou de outra, estava aprendendo
como funcionava a vida."
Pag. 68


     Um dia Antony escreve seu sonho em um caderno, e logo depois o sonho do amigo, e o sonho de uma menina da escola, e o sonho de outras pessoas... 

     Muitas e muitas coisas boas e outras muito ruins vão acontecer à partir daí, mas este caderno será fundamental para que tudo melhore. Acho que é o sonho de todos, que tudo fique bem.


"Então preferiu voltar para casa chutando
pedras, que até podiam ser duras, mas nem
de longe se assemelhavam à sua vida, e
muito menos com o que estava prestes
a acontecer."
Pag. 87


     O livro é narrado em terceira pessoa pelo ponto de vista de Antony grande parte do livro. Somente para explicar alguma coisa sobre outro personagem é que o ponto de vista altera, mas é quase imperceptível. A narrativa é ingênua e despretensiosa, assim como o próprio protagonista.

     Trouxe assuntos mais pesados de uma maneira extremamente suave. Alcoolismo, bullying, miséria, fome, descaso, tudo isso visto pelos olhos de uma criança que tinha todos os motivos para ser revoltada, mas que não tem nada mais do que amor pela mãe e por seus amigos.

     A capa do livro é muito bonita e a edição toda está ótima. A diagramação é linda, com trechos das anotações do caderno de Antony. Muito charmoso!!

    "O Menino Que Colecionava Sonhos" é o primeiro livro do autor, e eu tenho certeza que este é o caminho que ele deve mesmo seguir. Não tem quem resista à uma história bonita.



















11 comentários:

  1. Eu simplesmente amei A Corrente do Bem..e fazia tempos que não via algo semelhante, nem em cinema ,nem em letras! E fiquei com um sorriso bobo, lendo a resenha acima. Um livro tão pequeno e com uma carga de emoções impressa em letras. É emocionante!
    Engraçado que não foge a realidade de tantos meninos, de tantas mães sozinhas, de tantos que sonham e vão em busca..ou dos que apenas sonham e nunca conseguem realizar(divaguei).rs
    Capa belíssima e com certeza, é um livro que se puder, lerei num gole só!
    Beijo

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  2. A Corrente do Bem é um dos filmes mais injustiçados que já assisti,e eu gostei muito! Acho sempre interessante quando os autores contam o mundo através dos olhos de uma criança, não sei, de alguma forma isso me leva a lembrar de mim quando era criança, e isso é bom, trás boas memórias.

    Dois abraços ;)

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  3. Olá, Lelê.
    Eu adoro livros que os protagonistas são crianças, pois essas obras transmitem uma maior realidade e é mais fácil de cativar meus sentimentos. Só por isso já leria o livro; como a premissa também é muito boa, tenho certeza que a obra é incrível.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de fevereiro. Você escolhe o livro que quer ganhar!

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  4. Lembro bem de quando esse livro foi anunciado entre os vários lançamentos do mês. A capa já havia chamado a atenção e ele parecia ter potencial, mas não dava pra adivinhar que seria tão bacana assim. Mesmo esse capitão que se faz de durão sentiu-se tocado pela sua resenha e pelo livro. :) Gosto quando faz essas resenhas que dá pra sentir a energia da leitura.

    Saudações,
    Ace Barros
    Capitão do drakkar Interlúdio, navegando pelo Multiverso X
    multiversox.com.br

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  5. Oie Lelê... bela resenha... meus parabéns....
    adorei
    me deixasse na maior curiosidade sobre o livro...
    volto depois que ler para dar minha opinião mais profunda...
    beijocas

    www.cantodadomino.blogpost.com.br

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  6. Oi Lele, eu adoro quando o autor fala de assuntos mais profundos mas com leveza,mostra o cuidado que ele teve que foi algo bem pensado, adorei a premissa, espero ter a oportunidade de conhecer o livro!

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  7. Bom dia Alessandra,

    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui, nossa e que livro hein, fiquei muito curioso e vou adicionar na minha lista, ótima resenha e dica....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  8. que lindo Lelê, um livro primoroso e mais uma vez sua resenha conseguiu me emocionar e me conquistar de maneiras diferentes! de certa forma eu era como Anthony antes de ler e me envolver com esse mundo!
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  9. Oi
    Gostei da resenha, li esse livro o ano passado e adorei se tornou uma das minhas leituras preferidas de 2014 e que indico para todo mundo, pois o livro é muito bom.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  10. Como não amar um livro na perspectiva de uma criança? Eu me encanto por histórias assim, que tratam de assuntos tão graves de forma suave. Adorei tudo, e posso dizer com muita certeza que sua resenha me fez ficar cheia de vontade de ler. As imagens do post não abriram aqui pra mim, mas pesquisei o livro físico e ele é lindo mesmo *-*

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