Tô pensando em contos: MARIETA COM MEDO

 


MARIETA COM MEDO




     Marieta morava na zona rural e vivia de maneira simples, mas bem feliz. Pra ela o céu era azul e as flores coloridas. E isso era tudo o que podia desejar.

     Não tinha televisão em casa. Tudo que sabia sobre a cidade grande vinha pela boca das vizinhas fuxiqueiras, das meninas que sonhavam em um dia sair daquele fim de mundo e tornarem-se estrelas de novela, coisa que Marieta só sabia como era, graças ao pouco de rádio que escutava, ou pelas revistas que algum vizinho trazia.

     Certo dia a rádio anunciou um sorteio em comemoração ao aniversário da cidade. Um ouvinte iria para Nova Iork com tudo pago. Da hospedagem ao translado, coisa que Marieta não fazia ideia do significado.

     Todos na cidade e no campo estavam participando.

     Menos Marieta.

     Para ela a vida já era boa do jeito que estava; mas as vizinhas serelepes não se conformavam com o descaso de Marieta e não a deixariam em paz enquanto ela não ligasse para a emissora.

     Marieta aceitou só para parar a azucrinação. Fez a ligação. Pronto! A paz havia sido restabelecida.

     Até que chegou o grande dia do anúncio  do resultado. A sortuda que iria para Nova Iork era... Marieta!

     Ninguém acreditou. Nem mesmo ela. Mas logo foi obrigada a reconhecer que era o nome dela, mesmo que o locutor gritava no radinho.

     Nos dias seguintes, as vizinhas invadiram a casinha de Marieta, passavam horas fazendo planos para a viagem, elaborando roteiros. Parecia que quem iria eram elas e não Marieta, que nem sapato bonito tinha.

     Enfim, ficou tudo certo para a viagem: documentação pronta; mala, roupas e sapatos emprestados de quase todo o mulherio da cidade. Até a esposa do prefeito, dona Edileuza, cedeu umas echarpes nome chique pra lenço – pra Marieta.


     E lá se foi a moça para o aeroporto em carrão cedido pela prefeitura. A loucura tinha sido tanta que ela nem havia se despedido das suas queridas florzinhas

     As vizinhas prometeram cuidar de tudo enquanto ela estivesse nos “esteites”, mas ela queria mesmo é que todas elas fossem no seu lugar.

     A vergonha começou no aeroporto ao dar de cara com uma imensa e assustadora escada rolante. Para Marieta, parecia um monstro que engolia as pessoas e as jogava lá no alto.


     Com a ajuda e a paciência de vários desconhecidos, Marieta conseguiu subir pela tal escada-que-rola.

     Hora do check in. Chequim?

     Explicaram que era pra embarcar a bagagem. Isso ela sabia o que era. Só não sabia onde estavam suas malas

     O desespero tomou conta de Marieta. Não só por ter perdido as malas, mas por ter perdido tudo que lhe emprestaram para esta viagem.

     Oh! Marieta precisava mesmo era encontrar tudo, até a tal da echarpe da esposa do prefeito.

     Por isso começou a andar pra lá e pra cá, perguntando, chorando, parecendo uma louca.

     Até que finalmente avistou o carrinho paradinho no andar de baixo, ao lado da tão temida escada rolante.

     Se já foi difícil subir, imagine só descer. Ser lançada rapidamente pro andar inferior?

     O medo da escada rolante era tão gigante que nem por um momento ela pensou no avião, muito menos que ele voaria milhões de vezes mais alto. 

     Ainda criava coragem para colocar o primeiro pé na escada quando viu um homem aproximar-se e colocar as mãos na sua mala.

     Sem pensar duas vezes, Marieta desceu a escada rolante pulando os degraus. Afinal, o maior medo era do que as vizinhas iriam dizer se perdesse todas aquelas coisas. Quando chegou lá embaixo, deu um salto e se lançou sobre a mala como se fosse um goleiro agarrando uma bola.

     Vai que é sua, Marietaaaaaaaaaa!!

     E Marieta encaixou a mala e o desconhecido numa defesa espetacular. Só depois ficou sabendo que Roberval, esse era o nome dele, era apenas um funcionário do aeroporto, que queria levar a sua mala para a seção de achados e perdidos.

     Acontece que Roberval não só não ficou bravo com ela, mas achou-a muito simpática e bonita...

     Mas isso fica para uma outra história!



















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8 comentários:

  1. Ahhhh.....que coisa mais linda!!!!rs Pena que acaboui :/
    Um conto contado de forma simples, rural eu diria...mas que encantou e emocionou ao mesmo tempo!
    Quantas Marietas com medo ainda temos entre nós? Quantas Marietas não descem e nem sobem as escadas rolantes da vida?
    Amei e quero mais :)
    Beijo

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  2. Lele, que coisa, adorei!! Poxa vida, Marieta ainda tem muito o que contar, né? Que personagem simples e cativantes, sinceramente, gostei demais do conto!! ><

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  3. ai que gracinha, Marieta ta que tá! que linda sua história e que bela mensagem subliminar deixa
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br/2016/01/resenha-ilha-da-paixao.html

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  4. Olá, Lelê.
    Adorei o conto sobre a Marieta. Aliás, vai ter continuação, né? Nossa protagonista parece que tem bastante a contar.
    Ótimo texto.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do top comentarista de janeiro. Serão dois vencedores!

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  5. Coitada de Marieta! A gente precisa saber o que aconteceu com ela ;)

    Dois abraços!

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  6. Eu quero mais, mais, mais, mais!!!
    Ameeeei Lê! Quero saber o que aconteceu com Marieta. Fiquei aqui rindo dos acontecimentos, tadinha. hahahaha
    Delícia de leitura! <3

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  7. Oi Lele!!

    Adoreeeeei o conto, muito legal e fiquei super curiosa hahahaha. Continue a história de Marieta (e escreva mais contos aqui \o\), gostei mesmo! Parabéns pela escrita contagiante!

    Beijo!!
    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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  8. Lelê,que sorte teve Marieta.Geralmente quando não queremos algo é aí que geralmente vem em nossa direção.Legal a parte da história da escada rolante,quando ela vê pela primeira vez e o medo que ela sente.Fiquei curiosa com o que vai acontecer entre Marieta e Roberval,preciso urgente da continuação.Mil beijinhos!!!

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