Resenha: Fragmentados


Título: Fragmentados

Autor: Neal Shusterman

Páginas: 319

Editora: Novo Conceito




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     Distopia é um gênero que gosto muito, mas ultimamente eu estava achando tudo mais do mesmo. E por isso comecei a ler "Fragmentados" sem esperar nada.

     Logo no início da leitura já percebi que não era um livro igual a maioria. E o mais diferente que encontrei foi a quantidade enorme de bizarrices contidas nas páginas.

     Sim!! "Fragmentados" é muito bizarro!!



" - Você não pode mudar a natureza humana sem antes mudar a lei."
Pag. 112


     Em uma época, talvez não muito distante, o mundo vive uma era bem estranha. E essa estranheza toda se deu depois do fim da Guerra de Heartland.

     Mas esta guerra que se deu entre o Grupo Pró-Vida e o Grupo Pró-Escolha estava indo contra os próprios princípios de cada uma delas.

     Vou tentar explicar; o Grupo Pró-Vida é contra o aborto em qualquer circunstância, já o Grupo Pró-Escolha é a favor de dar o direito ao cidadão decidir se levaria a gravidez a diante ou não.

     Mas na guerra todos perdem e por isso o acordo foi o melhor que poderia ser feito naquele momento.

     Pois é justamente o acordo que eu achei extremamente bizarro.


"O sistema pode ter um milhão de formas de impedir que os tutelados do Estado tentem ferrar com as coisas. Mas eles não têm um plano de ação para lidar com um acidente. Pelos próximos segundos, nada é impossível."
Pag. 26


     Funciona da seguinte maneira:

     O aborto fica proibido sobre toda e qualquer circunstância. Porém quando o filho completa treze anos e até os dezoito anos, os pais podem optar em fazer o Aborto Retroativo. Que consiste em enviar seu filho para a fraagmentação, onde ele será fragmentado e seus membros e órgãos serão transplantados em outras pessoas.

     As mães que tem filhos, mas que por algum motivo não podem ou não querem criá-los, podem abandoná-los na porta de alguma residência - estas são chamados de cegonhas - e quem encontrá-los fica obrigatoriamente responsável pelo bebê. Esta lei é "Encontrou, é seu". Mais ou menos como: "Você se torna responsável por aquilo que encontra."

     Ou então, a mãe pode deixar o filho em uma das Casas Estatais, onde ele ficará sob a tutela do governo, e muito provavelmente será fragmentado ao completar a idade mínima para isso.


"Em um mundo perfeito, todas as mães desejariam seus bebês e estranhos abririam seus lares para aqueles que não são amados. Em um mundo perfeito, tudo seria perto ou branco, certo ou errado, e todos saberiam a diferença. Mas este mundo não é perfeito. O problema são as pessoas que pensam que sim."
Pag. 74


     E ainda tem mais um jeito de enviar seu filho para a fragmentação, oferecendo ele como dízimo. 

     Sim! É isso mesmo. Um dízimo. Você envia seu filho para ser fragmentado em nome de Deus.

     É mole?

     "Fragmentados" é narrado em terceira pessoa por vários pontos de vista de vários personagens diferentes, mas principalmente por Connor, Risa e Lev.

     Connor é quem dá o START nessa história bizarra. Ele é o típico adolescente problemático, que vive arrumando confusão por onde passa, e sua vontade é - junto com sua amiga Ariana - fugir de casa pra bem longe.

     E nessa ânsia de mudar de vida, ele descobre sem querer que seus pais já agilizaram a documentação para enviar Connor para a fragmentação.

     Por isso ele resolve fugir mesmo, o mais rápido possível. É a única chance de sobreviver.


"Os pais de Connor não sabem que ele já sabem que ele já sabe que vai ser fragmentado, Não era para ele ter descoberto, mas Connor sempre foi bom em desencavar segredos."
Pag. 8


     Risa foi abandonada em uma casa Estatal e lá ela estudou e se tornou uma ótima musicista. Mas ser uma garota educada e respeitadora, além de uma musicista espetacular, não é de grande valia para o governo. Um gasto inútil aos olhos deles, e por isso ela será fragmentada.

     Lev foi criado para ser o Dízimo. Décimo filho de uma família que vive as ordens da igreja. Depois de nove filhos (alguns gerados e vários que vieram das tais cegonhas) os pais decidiram que o décimo filho seria entregue para a fragmentação. "Deus quis que o décimo fosse gerado e a mãe não pensou duas vezes".

     Lev tem convicção que é para isso que veio ao mundo. Nada mais interessa.

     E é depois da festa de treze anos, quando ele está a caminho do lugar onde ele se tornará parte de várias outras pessoas, que uma grande confusão acontece, e ele não consegue ir.

     O  caminho desses três fragmentários se cruzam e juntos eles vão lutar para mudar seus destinos.

     A narrativa é viciante. Sempre que acaba um capítulo é impossível não devorar o próximo... e o seguinte...


"O dízimo está na Bíblia; você deve dar dez por cento de tudo. E a entrega da cegonha está na Bíblia também."
Pag. 72


     Uma distopia diferente do que está por aí. Todas as distopias trazem sempre alguma discussão, a maioria se refere as tramoias políticas, violência... Enfim, são vários temas, mas um livro que discuta o aborto e a religião, é o primeiro. E eu amei!!

     Além disso não é difícil enxergar uma porção de coisas na vida que vivemos hoje. E isso é que me deixou um tanto incomodada. Consigo visualizar muito bem várias "mães" que enviariam seus filhos para a fragmentação sem pensar duas vezes. E isso me dá medo.

     Amo livros que conseguem isso. Fazer pensar, discutir e avaliar o mundo num futuro próximo.

     Não é só porque alguém diz que alguma coisa é certa, que você não pode discordar e fazer diferente.


"Foi para isso que eu nasci. Foi para isso que vivi. Eu fui escolhido. Sou abençoado."
Pag. 33


     Recomendo para quem gosta de distopias.

     Eu gosto e amei a leitura do começo ao fim.

     Leiam!!
















     


8 comentários

  1. Credo!!rs
    Menina, é a primeira resenha que leio dessa obra e juro pra você que não fazia nem ideia do que se tratava e estou meio assustada com o que li.
    Não sei se é bizarro, mas é insano demais tudo que li acima.
    Que loucura!!!
    Eu ando meio saturada de distopias, mas o coração disparou nessa e agora preciso urgente ler. Deu aflição, caramba!
    Amei =)
    Beijo

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  2. Lelê, eu gostei MUITO de Fragmentados!, essa ideia toda de aborto retroativo é mesmo muito bizarra e me deixou um pouco chocado, talvez por isso o livro tenha sido tão bom!! Eu gostei da narrativa, dos personagens, das questões abordadas - o caso do menino que roubava sem saber o porque é das melhores partes do livro.

    Também recomendo.

    Dois abraços!

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  3. Bom, desde que vi um book trailer de Fragmentados vi que o livro era diferente, como gosto de distopias já me interessei e por esse motivo pretendo ler.
    Adorei sua resenha, pois a partir dela foi possível conhecer um pouco mais da história.

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  4. Oi Lelê, tudo bem?

    Confesso que eu tava num cagaço pra ler Fragmentados. Mas quando comecei, não consegui parar até ver a última palavra escrita.

    É claro que eu gostaria de mais detalhes sobre a fragmentação, bem como a de outros personagens, e não apenas um. Mas acho que isso a gente vai poder ver com mais frequência em uma continuação. Pelo que vi no Goodreads, serão 4.

    Só espero que o autor não caia na maldição do segundo livro e cague no resto da série hahahhaha.

    Beijos

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  5. Lê!
    Tive oportunidade de ler esse livro também e achei mesmo uma distopia diferenciada das outras temáticas, embora ainda esteja engasgada com essa história de Fragmentação e engolir a ideia de que os fragmentados 'vivem' em outros corpos, fora isso, gostei muito.
    “A gente todos os dias arruma os cabelos: por que não o coração?”(Provérbio Chinês)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  6. oi flor, ainda não embarquei nesse mundo de distopias, não sei se vou curtir, mas uma oportunidade sei que darei em breve
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  7. Afff. Ai meus sais, estou com o coração "na mão". Não sei nem como descrever o que acho e estou sentindo; tantos mistos de emoções que está complicado.
    Bom, eu sinceramente havia detestado todas as resenhas lidas e já havia descartado de minha lista, com essa resenha não foi diferente, do começo perto ao fim estava de nariz retorcido quando entendi o real significado desse livro, adivinha, acabei voltando ele para minha lista e passando na frente de outros desejados. Quando você mencionou que se parece muito com o nosso mundo de hoje, não pensei duas vezes que preciso entender todo aquele sistema e como os meninos escaparam disso. Espero que vire filme para melhor ser vizualizado.

    Bjsss

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  8. Olá!!
    Quando vi o lançamento coloquei de cara na minha lista de desejos, pelo simples motivo de se tratar de uma distopia e eu adoro. Quando comecei ler sua resenha e vi você dizer que era super bizarro não imaginei o quão bizarro seria, caramba que coisa loca de fato diferente de tudo que ja vi, espero entender essas mães e esse governo quando eu ler o livro porque agora não entendo mesmo qual é a deles. Espero ler em breve porque fiquei muito intrigada.
    Bjocas!!

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